Monte a planilha de escala de trabalho de restaurante grátis com abas, grade semanal, DSR e checagens da CLT. Modelo pronto para Excel ou Planilhas.
Por Equipe Koncluí11 min de leitura
A planilha de escala de trabalho de restaurante grátis é um arquivo com três abas (Equipe, Grade semanal e Checagem) que mostra quem trabalha em qual posto, em qual horário, com folga e intervalo visíveis, e que marca conflitos de jornada antes de a escala ir para o grupo da operação. Você monta o modelo em menos de uma hora no Excel ou no Google Planilhas, preenche com a equipe real e publica a semana com um arquivo único, sem depender de print solto no WhatsApp.
Este texto entrega o artefato: colunas, regras de preenchimento, checagens da CLT e uma tabela para decidir quando a planilha ainda basta. Para o método completo de escolher 6×1, 12×36 ou 5×2, use o guia de como fazer a escala de trabalho do restaurante. Aqui o foco é a planilha que a busca “planilha de escala de trabalho restaurante gratis” pede de fato. Escala bem feita também é o primeiro tijolo da gestão de equipe do restaurante: sem grade clara, treinamento e cobrança de padrão viram improviso.
O que a planilha grátis precisa entregar de verdade
A planilha só vale se resolver cobertura, legalidade e comunicação no mesmo arquivo. Cobertura é ter cozinheiro, salão, caixa e limpeza nos horários de pico. Legalidade é respeitar jornada, intervalo e descanso. Comunicação é a equipe saber a escala com antecedência e registrar troca e falta no mesmo lugar.
Posto por horário: nome e função na célula, não só “turno da noite”.
Início, fim e intervalo: horário de entrada, saída e pausa de refeição na mesma linha.
Folga e DSR: dia de descanso semanal marcado de forma legível para toda a casa.
Reserva de cobertura: pelo menos uma pessoa com competência cruzada por praça crítica.
Histórico leve: data de publicação, quem montou e quem confirmou leitura.
Modelo pronto: três abas para Excel ou Google Planilhas
Crie um arquivo novo e nomeie as abas exatamente assim. Cole os cabeçalhos na linha 1. As fórmulas usam a sintaxe do Excel em português do Brasil (troque ponto e vírgula por vírgula se a instalação estiver em inglês).
Aba Equipe
Uma linha por colaborador ativo. Sem essa base, a grade vira lista de apelidos sem contrato nem competência.
A Código ou iniciais
B Nome completo
C Função principal (cozinheiro, salão, caixa, bar, limpeza, entregador)
D Funções de cobertura (o que a pessoa pode assumir em falta)
E Regime de jornada (6×1, 5×2, 12×36, parcial)
F Carga contratual semanal (h)
G Restrições (faculdade, transporte, menor de 18, preferência de folga documentada)
H Contato
I Status (ativo, férias, afastado)
Filtre a coluna I para “ativo” antes de montar a semana. Pessoa em férias na grade é o erro mais barato de cometer e o mais caro de descobrir no sábado.
Aba Grade semanal
Uma linha por alocação (pessoa + dia + posto). Evite uma mega grade só com cores: cor sem dado não audita.
A Semana (data de início da semana, segunda)
B Dia (seg a dom)
C Data
D Nome (lista da aba Equipe)
E Posto
F Entrada
G Início do intervalo
H Fim do intervalo
I Saída
J Horas brutas = =(I2-F2)*24 (formate como número com 2 casas)
K Horas de intervalo = =(H2-G2)*24
L Horas líquidas = =J2-K2
M Tipo de dia (trabalho, folga, DSR, férias, falta, troca)
N Observação (evento, reforço de delivery, feriado)
No rodapé, some horas líquidas por pessoa na semana com =SOMASES(L:L;D:D;"Nome"). Compare com a coluna F da aba Equipe e com o teto de 44 horas semanais da Constituição (art. 7º, XIII), salvo regime ou compensação válidos. Estouro recorrente sem acordo de hora extra ou banco de horas é passivo, não “ajuda de pico”.
Aba Checagem
Uma linha por regra que o gestor confere antes de publicar. A planilha não bloqueia sozinha: a checagem humana na aba fecha o buraco.
B2 Semana publicada
B3 Responsável pela escala
B4 Data e hora da publicação
B5 Canal de envio (grupo oficial, mural, e-mail)
B6 Confirmações de leitura (quantas / total ativos)
B7 Pico coberto? (sim/não por praça: cozinha, salão, caixa, bar)
B8 Intervalo entre jornadas de no mínimo 11 h (art. 66)?
B9 Intervalo intrajornada lançado (art. 71)?
B10 Se há trabalho aos domingos: escala de revezamento do mês no quadro (art. 67, parágrafo único)?
B11 Feriado da semana tratado?
B12 Reserva de cobertura nomeada?
B13 Soma semanal por pessoa dentro da carga contratual e do teto de 44 h (CF art. 7º, XIII), salvo hora extra ou compensação formal?
Publique só com B7 a B13 em “sim”. Se algum item for “não”, a escala ainda é rascunho.
Organização das três abas da planilha de escala de trabalho restaurante: dados de colaboradores, grade semanal de alocação e checklist de validação, mostrando como os dados se conectam antes da publicação
Como preencher a grade sem furar a CLT e o teto semanal da Constituição
Antes de colorir a planilha, fixe os tetos legais no próprio arquivo (comentário na aba Checagem ou célula de lembrete). A Constituição Federal, art. 7º, XIII, fixa a duração normal do trabalho em no máximo 8 horas diárias e 44 horas semanais, com compensação ou redução por acordo ou convenção coletiva. A Consolidação das Leis do Trabalho, texto atualizado da Câmara dos Deputados, concentra as regras de jornada, intervalo e DSR que mais derrubam escala de restaurante:
Art. 58: a duração normal do trabalho não excede 8 horas diárias, salvo limite diverso fixado de forma expressa.
Art. 66: entre duas jornadas, período mínimo de 11 horas consecutivas de descanso.
Art. 67: descanso semanal de 24 horas consecutivas, que deve coincidir com o domingo no todo ou em parte, salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço. Parágrafo único: nos serviços que exijam trabalho aos domingos, escala de revezamento mensalmente organizada e constando do quadro sujeito à fiscalização.
Art. 71: em trabalho contínuo com duração que exceda 6 horas, intervalo para repouso ou alimentação de no mínimo 1 hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, de no máximo 2 horas. § 1º: se a jornada não exceder 6 horas, mas ultrapassar 4 horas, intervalo de 15 minutos.
Na prática da planilha: 6 dias de 8 horas cheias somam 48 horas semanais e já passam do teto constitucional de 44 horas. Marque na coluna F da aba Equipe a carga real do contrato e, na Checagem B13, confira se o excesso está em hora extra, banco de horas ou outro regime pactuado (por exemplo 12×36). O regime 12×36 só entra na planilha com acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. A Lei 13.467/2017 inseriu o art. 59-A na CLT: a remuneração mensal pactuada nesse horário abrange o DSR e o descanso em feriados, e considera compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno quando houver. Na aba Equipe, marque o regime e a referência do acordo. Na Grade, não trate feriado do 12×36 como se fosse 6×1 comum.
Ordem prática de preenchimento:
Mapeie o movimento por hora (comandas, delivery, reservas) dos últimos sábados fortes e de um dia fraco típico.
Defina postos mínimos por bloco (exemplo: 11h-15h e 18h-22h), não só “almoço” e “jantar”.
Aloque primeiro as competências raras (chapa, pizza, caixa com fechamento, bar).
Encaixe intervalos fora do pico sempre que a operação permitir.
Marque folgas e DSR do mês antes de aceitar trocas de última hora.
Trate feriado em coluna própria e confira o guia de escala de trabalho em feriados antes de publicar a semana com data vermelha.
Em turnos noturnos, deixe explícitos a saída real e o retorno: o intervalo de 11 horas (art. 66) quebra quando alguém “só cobre até fechar”.
Tabela de decisão: quando a planilha basta e quando não
Use a tabela para escolher o nível de ferramenta sem gastar dinheiro cedo demais nem insistir em planilha quando o risco já é operacional.
Situação da casa
Ferramenta adequada
O que a planilha grátis cobre bem
Sinal de que a planilha já falhou
Ação seguinte na operação
Até 15 pessoas, 1 unidade, 1 gestor monta a escala
Planilha + canal único de publicação
Grade semanal, DSR, soma de horas, checagem manual
Trocas só no WhatsApp, sem atualizar o arquivo
Travas de versão: “só vale a planilha da pasta X”
15 a 40 pessoas, picos fortes de sexta a domingo
Planilha rígida + checklist de troca de turno
Cobertura por posto e reserva nomeada
Sobreposição ou buraco de caixa todo fim de semana
Separar montador da escala e revisor (gerente)
Multiunidade, 12×36 misto, banco de horas ativo
Software de escalas ou RH com regra automática
Ainda serve como espelho de publicação
Hora extra e intervalo calculados “no feeling”
Sistema que recusa conflito ao salvar
Alta rotatividade e muitas trocas semanais
Planilha só como backup; processo de confirmação obrigatório
Histórico de quem estava escalado na data
Ninguém sabe qual versão é a oficial
Arquivo com data no nome e confirmação de leitura
Primeira escala formal da casa
Planilha grátis deste artigo
Equipe, grade e checagem em 7 dias
Gestor ainda escala de memória no sábado
Publicar toda quinta a escala da semana seguinte
Se a dor já é conflito automático, histórico para reclamação e cálculo de intervalo, o artigo sobre software de escalas de trabalho detalha o que a planilha não bloqueia sozinha. Enquanto a casa couber na planilha, não troque de ferramenta: troque a disciplina de preenchimento.
Rotina de publicação, troca e registro de falta
A planilha morre quando a operação roda em um canal e o arquivo em outro. Feche o ciclo em cinco atos.
Quinta: monta a Grade da semana seguinte e preenche a Checagem.
Quinta à noite: publica o link ou o PDF com data e pede confirmação de leitura no canal oficial.
Sexta a domingo: trocas só com linha atualizada na Grade (tipo de dia = troca) e nome de quem assume.
No dia da falta: registra falta, aciona a cobertura da coluna D da aba Equipe e anota quem entrou.
Segunda: arquiva a semana em pasta do mês (nome: escala-YYYY-MM-DD).
A escala diz quem está. O que cada um faz na passagem de plantão é outro documento. Pareie a planilha com um checklist de troca de turno por posto (cozinha, salão, caixa e pendências de equipamento): isso não cabe na célula de horário. Modelos prontos de abertura, fechamento e RH estão na biblioteca de checklists do Koncluí.
Exemplos de observação útil na coluna N:
“Reforço delivery 19h-21h, evento de futebol.”
“Domingo de folga no revezamento do mês (2 de 3).”
“Troca com Maria: João assume caixa 12h-20h.”
“Cobertura de chapa: Ana (função cruzada).”
Da planilha ao padrão do turno
Com a grade estável, o gargalo deixa de ser “quem vem” e passa a ser o que não pode falhar no turno. Abertura, pico, troca e fechamento pedem roteiro por posto. A biblioteca de modelos do Koncluí reúne checklists de RH, abertura e fechamento para ligar a escala ao padrão executado.
Checklist mínimo depois de 30 dias com a planilha no ar:
Semana arquivada com data e responsável.
Publicação só com B7 a B13 da Checagem em “sim”.
Horas por pessoa confrontadas com a carga contratual e com o teto de 44 horas semanais (CF art. 7º, XIII), salvo compensação ou extra formal.
Se há trabalho aos domingos: escala de revezamento do mês no quadro (art. 67, parágrafo único).
Falta e troca registradas na Grade no mesmo dia.
Turno noturno checado contra as 11 horas do art. 66.
A planilha grátis não substitui contador nem advogado trabalhista. Ela deixa a regra visível e corta a dependência de memória. Quando o arquivo for a fonte única da semana, a operação saiu do improviso. Quando o arquivo mentir sobre o que aconteceu, o problema não é Excel: é disciplina de gestão.
Os modelos de escala 6×1, 12×36 e 5×2 descrevem quantos dias a pessoa trabalha e quantos descansa no ciclo, ou, na 12×36, quantas horas de plantão seguidas vêm de quantas horas de folga. Cada um muda cobertura de salão e cozinha, hora extra, descanso e risco trabalhista. A escolha começa pela operação (horário, picos, turno […]
Atualização normativa em São Paulo: a Portaria CVS nº 9/2026 adiou a entrada em vigor da CVS 3/2026 e a revogação da CVS 5/2013 para 1º de fevereiro de 2027. As alterações dessas datas produzem efeitos desde 4 de outubro de 2026. O onboarding de novo funcionário em restaurante, nos primeiros 30 dias, é o […]
Quanto custa a rotatividade no restaurante? Em regra, cada saída e reposição custa bem mais do que a rescisão impressa: recrutamento, treinamento, queda de produtividade e erro operacional somam-se às verbas legais. No foodservice brasileiro o volume não é anedota. A Abrasel registrou taxa de rotatividade de pessoal de 73,49% no setor de alimentação fora […]