Monte a planilha de CMV para restaurante em Excel grátis com abas, fórmulas e exemplo. Artefato pronto para copiar e fechar o mês com número real.
Por Equipe KoncluíAtualizado em 10 min de leitura
Atualização normativa em São Paulo: a Portaria CVS nº 9/2026 adiou a entrada em vigor da CVS 3/2026 e a revogação da CVS 5/2013 para 1º de fevereiro de 2027. As alterações dessas datas produzem efeitos desde 4 de outubro de 2026.
A planilha de CMV para restaurante em Excel grátis é um arquivo com três abas (Inventário, Compras e Resumo) que calcula o Custo de Mercadoria Vendida pela fórmula CMV = estoque inicial + compras − estoque final e mostra o percentual sobre a receita do período. Você monta o modelo em menos de uma hora, preenche com inventário e notas e fecha o mês com um número auditável.
Este artigo entrega o artefato completo: colunas, fórmulas para colar no Excel ou no Google Planilhas, exemplo numérico e rotina de preenchimento. Para a teoria da fórmula com mais profundidade, use o guia de como calcular o CMV do restaurante. Aqui o foco é a planilha que a busca “planilha cmv restaurante excel gratis” pede de fato.
O que entra e o que fica de fora do CMV na planilha
No foodservice, o CMV da planilha cobre o custo direto dos insumos que viram prato, bebida ou embalagem que sai com o pedido. Entram carnes, hortifruti, laticínios, grãos, temperos, óleos, bebidas vendidas e embalagens de delivery. Ficam de fora aluguel, luz, marketing, salários e encargos. Misturar folha de pagamento no CMV distorce o percentual e atrasa a decisão de cardápio.
O material do SEBRAE Paraná sobre CMV de restaurante usa a mesma base: estoque inicial + compras − estoque final, e a leitura do CMV em percentual do faturamento. No e-book de custos fixos e variáveis do SEBRAE, a lógica de gestão reforça que o custo direto da mercadoria é o ponto de partida da margem, separado da estrutura fixa que mantém a empresa aberta. Na planilha, preserve essa separação.
Estoque inicial (EI): valor em reais dos insumos no primeiro dia do período (contagem física valorizada).
Compras (C): soma das notas e cupons de insumos do período, com frete quando ele entra no custo do produto.
Estoque final (EF): mesma contagem e mesma regra de valorização no último dia.
Receita do período: faturamento de comida e bebida do mesmo intervalo (PDV, delivery, eventos).
CMV (R$) = EI + C − EF
CMV (%) = (CMV ÷ Receita) × 100
Exemplo ilustrativo (números de demonstração, não benchmark de mercado): EI R$ 8.000, compras R$ 22.000, EF R$ 7.500, receita R$ 70.000. CMV = 8.000 + 22.000 − 7.500 = R$ 22.500. CMV % = 22.500 ÷ 70.000 = 32,1%. O cálculo de CMV mensal usa esse fechamento; a planilha só organiza as entradas para não perder nota nem inventário.
Modelo pronto: três abas para copiar no Excel
Crie um arquivo novo e nomeie as abas exatamente assim. Cole os cabeçalhos na linha 1. As fórmulas usam a sintaxe do Excel em português do Brasil (troque vírgula por ponto e ponto e vírgula por vírgula se a instalação estiver em inglês).
Aba Inventário
Uma linha por item contado. Use a mesma estrutura no início e no fim do período: filtre por data ou duplique a aba para abertura e fechamento.
A SKU ou código
B Item (nome operacional: “peito de frango 1 kg”, “queijo mussarela”)
C Categoria (carne, hortifruti, bebida, embalagem, seco)
D Unidade de contagem (kg, un, L)
E Quantidade contada
F Custo unitário médio (R$ por unidade de contagem)
G Valor do item = =E2*F2
H Local (câmara, freezer, despensa, bar)
I Validade mais próxima
J Observação (lote, avaria, contagem a quatro mãos)
No rodapé da coluna G: =SOMA(G2:G1000). Esse total é o EI ou o EF. Sem inventário físico, o CMV vira adivinhação com nota fiscal.
Aba Compras
Uma linha por nota ou por item da nota. Quem lança só o total sem categoria perde o rastreio de onde o custo subiu.
A Data
B Fornecedor
C Número da NF / cupom
D Item
E Categoria
F Quantidade
G Unidade
H Custo unitário
I Total da linha = =F2*H2
J Frete rateado (se houver)
K Custo total = =I2+J2
L Uso (venda, consumo interno, brinde, teste)
Total de compras: =SOMA(K2:K5000). Se quiser isolar desperdício e cortesia, filtre a coluna L ou separe consumo interno em outra aba.
Aba Resumo
B2 Período e B3 Unidade
B4 Estoque inicial (total do inventário de abertura)
B5 Compras do período
B6 Estoque final
B7 Receita do período
B8 CMV R$ = =B4+B5-B6
B9 CMV % = =SE(B7=0;0;B8/B7) (formate como percentual)
O desvio entre CMV real e teórico aponta porcionamento, furto, quebra ou nota não lançada. Sem ficha técnica, deixe B10 e B11 vazios no primeiro mês e foque no real com inventário sério.
O esquema mostra o cálculo do CMV em duas etapas: a fórmula em reais, estoque inicial mais compras menos estoque final, e a conversão para percentual, CMV em reais dividido pela receita do período, relacionando o resultado às três abas da planilha que sustentam o cálculo.
Tabela de decisão: qual bloco preencher em cada situação
Use a tabela para decidir o que fazer agora e o que pode esperar. O erro clássico é abrir vinte colunas no dia 1 e abandonar o arquivo no dia 4.
Situação da casa
O que preencher já
Frequência mínima
O que adiar
Sinal de que o bloco falhou
Primeira vez com CMV
Inventário abertura + Compras + Resumo B4 a B9
Fechamento mensal
CMV teórico por ficha
Ninguém sabe o total do estoque em R$
CMV % sobe sem explicação
Compras por categoria + inventário dos itens A
Semanal nos itens A; mensal no restante
Relatório por garçom
Compra alta e estoque final “igual” sem contagem
Cardápio novo ou reajuste
Resumo + custo por prato em ficha técnica
Antes de publicar o preço
Histórico de 12 meses completo
Preço sem custo unitário atualizado
Suspeita de quebra ou furto
Inventário a quatro mãos + desvio real vs teórico
Duas contagens no mês nos itens críticos
Automação completa
Diferença grande entre PDV e consumo esperado
Mais de uma unidade
Mesmo modelo, um Resumo por loja + consolidado
Mensal por loja, no mesmo dia de corte
Planilha diferente por filial
Cada loja inventa coluna e o consolidado não fecha
Quem só olha o CMV mensal e nunca conta itens de alto valor no meio do mês demora 30 dias para achar o ralo. Proteína, queijos e bebidas premium pedem contagem semanal mesmo com fechamento mensal do Resumo.
Como preencher a planilha na rotina da cozinha
Defina o período de corte e trave as datas de inventário de abertura e fechamento no calendário da equipe.
Conte o estoque de abertura com duas pessoas nos itens de maior valor e trave o total em B4.
Lance compras no dia em que a mercadoria entra, não no fim do mês.
Separe uso que não é venda (consumo interno, degustação, quebra) se quiser o CMV de venda limpo.
Feche a receita do mesmo período no PDV e nos apps, sem misturar taxa de marketplace como insumo.
Conte o estoque final com a mesma lista e a mesma regra de custo unitário.
Calcule B8 e B9, compare com o mês anterior e abra Compras por categoria se o percentual saltar.
Assine o Resumo com nome e data. Planilha sem dono vira arquivo fantasma.
O estoque que alimenta o CMV é o mesmo da reposição diária. Se a contagem está caótica, a planilha de controle de estoque em Excel organiza entrada e saída; esta planilha de CMV consolida o período. São arquivos irmãos, não substitutos.
Perdas, validade e o CMV que a planilha só revela
Produto vencido, mal armazenado ou descartado eleva o CMV real porque saiu do estoque sem virar receita. A planilha registra o efeito no inventário e nas compras: não cria a perda, só deixa de escondê-la.
A RDC nº 216/2004 da ANVISA (item 4.8.8) fixa, em âmbito federal, as Boas Práticas para serviços de alimentação, inclusive conservação e tratamento térmico. Na cocção, o parâmetro federal é que todas as partes do alimento atinjam, no mínimo, 70 °C (temperaturas inferiores só com combinação de tempo e temperatura que assegure a qualidade higiênico-sanitária). Os 74 °C no centro geométrico não são da ANVISA: vêm do art. 41 da Portaria CVS 5/2013, norma estadual de São Paulo. Em São Paulo, a Portaria CVS nº 3/2026 (art. 59) eleva a cocção para 75 °C no centro geométrico a partir de 1º de fevereiro de 2027. Fora de SP, vale a RDC 216 e o que a vigilância local exigir. A cartilha de Boas Práticas da ANVISA (baseada na RDC 216/2004) orienta cocção a no mínimo 70 °C, conservação sob temperatura controlada e higiene no preparo e no armazenamento: são regras de segurança do alimento, não de contabilidade. Na operação, falha nesses controles vira quebra e produto impróprio, e isso aparece no CMV quando o inventário é sério. Na planilha, anote quebra e validade na observação do inventário para o desvio do mês ter causa.
Erros que invalidam a planilha de CMV
Inventário mental: estoque final “igual” ao inicial sem contagem apaga desperdício e furto.
Nota fora do período: compra do dia 30 no mês seguinte deprime um CMV e infla o outro.
Custo unitário velho: valorizar estoque com preço de três meses atrás após reajuste do fornecedor.
Receita incompleta: esquecer delivery ou evento distorce o CMV %.
A planilha de CMV em Excel grátis cumpre o papel de artefato: você calcula, guarda histórico e treina inventário e lançamento de nota. Ela falha quando a casa precisa de resposta no meio da semana sem reabrir o arquivo, quando várias pessoas editam versões diferentes, ou quando o CMV teórico por ficha precisa acompanhar cada venda do PDV.
Use o modelo deste artigo para implantar o fechamento com dados reais da operação. Quando o gargalo deixar de ser “não tenho o modelo” e passar a ser “demoro demais para montar o número” ou “quero simular prato a prato”, a calculadora de CMV da Koncluí reduz o tempo de simulação sem substituir a disciplina de inventário que a planilha ensina.
Copie as três abas, feche um mês com inventário de verdade, compare o CMV % com o mês seguinte e só então decida se o próximo ganho vem de renegociar compra, corrigir porção, cortar item do cardápio ou mudar o preço. A planilha grátis entrega o número; a gestão decide a ação.
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